Todos contra o Rei Leopoldo !
Correio Belga, 27 de novembro de 1884.
Terminou ontem a Conferência de Berlim, depois de muito tempo de negociação.Participaram dela 14 países entre os quais a Alemanha -a potência anfitriã, Inglaterra,Estados Unidos, França, Portugal e o nosso ilustríssimo Rei Leopoldo II , representante do Congo; a sociedade civil também se fez presente. O objetivo da conferência era a questão do congo ( sua ocupação e livre comércio)- foco principal e intensamente debatida pelos representantes e o estabelecimento de regras para futuras ocupações na áfrica.
O nosso ilustríssimo Rei Leopoldo II ,ao representar o Estado Livre do Congo, mostrou-se sempre aberto a discussões, apesar disso foi atacada por vários representantes entre eles o da Inglaterra, de Portugal e da sociedade civil. Os Estados Unidos pareciam ser os únicos a apoiar o ideal humanitário, civilizatório e científico de vossa majestade ressaltando o que todos sabiam: a independência e a neutralidade do Congo, o que devia ser prezado por todos os países presentes. Ao contrário, a Rainha Vitória atacou o Rei Leopoldo de várias maneiras exigindo o livre comércio na região (o que ele dentro de sua bondade e flexibilidade propôs adotar) ,chegando a dizer: ‘’o Congo não pode se tornar uma fazenda pessoal do Rei Leopoldo’’, uma ofensa pessoal clara e desnecessária. Portugal (uma potência decadente) foi mais além, atacou quase todos os representantes presentes, primeiro o anfitrião - Bismarck, dizendo que ele estava ‘’mascarando seus interesses imperialistas’’ e, mais constantemente nosso Rei acusando-o de fazer ‘’pilantropia’’,ser ‘’açougueiro’’ e dizendo haver abuso de direitos humanos no Congo. Oras, muitos se perguntam o que seria exatamente esse novo conceito tão utilizado pelo representante português. Logicamente vossa majestade, o Rei Leopoldo II, não se deixou abater e propôs finalmente uma moção tentando ser claro e objetivo, visando o bem do Congo e que a reunião produzisse os frutos desejados.
Nos momentos finais, o Representante do Estado Livre do Congo propôs um documento, leu-o , ele invocava basicamente os princípios de livre navegação na Bacia do Congo, livre comércio, livre acesso ao Congo e abolição da escravidão na região.Apesar desse maravilhoso progresso nas discussões e da proposta nobre de vossa majestade, ele foi acusado de estar manipulando a conferência a seu favor, o que foi realmente uma afronta sem sentido. A sociedade civil se fez presente, normalmente com críticas ao nosso soberano, sem acrescentar nada ao debate, citando nomes de supostos exploradores que teriam ido ao Congo, e, no ápice, de seu ataque leu discursos dramáticos e chocantes que afirmou estarem contidos em um jornal que poucos conheciam (fontes supostamente duvidosas). Felizmente, nenhuma dessas ofensas conseguiu afetar o nosso benevolente Rei que já tivera proposto que o acesso ao Congo seria aberto a todos que quisessem verificar essas falsas acusações. Se a conferência produziu frutos foi graças ao Rei Leopoldo II que driblou ofensas pessoais, tentativas de mais imperialismo ( invocadas pelo representante Francês) e propôs um documento . Se os resultados dessa nobre Conferência não foram tão grandes como os esperados, pode-se afirmar, com certeza q não foi pela falta de esforço do Rei Leopoldo II que driblou ofensas pessoais, tentativas de mais imperialismo ( invocadas pelo representante Francês) e propôs um documento que agradou quase todas as potências presentes, visando sempre preservar a independência, integridade e justiça da sua missão científica e civilizatória no Estado Livre do Congo.
